Impares e Pares










Na cela, o preso e a liberdade

Nas ruas, o ficar e o percurso

Nos becos, a alma e a lama

No bolso, a grana e o drama



No bar, o copo e o escapismo

Nas mãos, o afago e o esganar

No peito, o tiro e o coração

Na noite, o riso e o siso



Na moita, a caça e o caçador

Na forca, a corda e o pescoço

No palco, o ator e a persona

Na cama, o suor e a chama



No poema, o regalo e o conflito

Na tela, o exposto e o latente

No vaso, a fé e as fezes

Na coxia, o lixo e prolixo



Na página, a brancura e a palavra

A eira e a beira do poeta in-pronto

No vento, a voz e o silêncio

O nada, o tudo, o tanto!



Fernando Neri – 15.10.2008